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Mostrando postagens de 2014

Ecologismo e anticapitalismo reacionário

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É um fato que a biosfera está sofrendo graves transformações, causadas pela espécie humana, que podem levar a uma extinção em massas e inviabilizar a vida de grande parte da humanidade. Também é um fato que essas transformações não são causadas igualmente por todas as pessoas, e que os maiores responsáveis são os grandes monopólios capitalistas, começando pelo petrolífero e pelo complexo industrial-militar. Diante disso, a necessidade da luta ecologista é incontornável, bem como a necessidade de uma reorganização da produção sobre bases ecológicas, para o que seria preciso uma revolução internacional.
 Dito isso, o grande debate é o que exatamente significam as “bases ecológicas” para a reorganização da produção. Ao contrário do Bellamy Foster, eu não quero tapar o Sol com a peneira, e não vou dizer que algumas citações esparsas que existem na obra do Marx e do Engels são uma concepção marxista da ecologia. A contribuição real que o marxismo pode dar para a ecologia não é essa, e sim…

Apelo de Lukács contra o processo a Angela Davis

Fonte: https://gyorgylukacs.wordpress.com/2014/07/09/appello-di-lukacs-contro-il-processo-ad-angela-davis/

«l’Unità», 12 de janeiro de 1971 Documento assinado por um grupo de intelectuais da Europa Ocidental e Oriental Budapest, 11 Um grande grupo de eminentes intelectuais da Europa Ocidental e Oriental, entre os quais György Lukács, os escritores alemães Heinrich Böll e Martin Walser, o austríaco Ernest Fischer, o dramaturgo suíço Rolf Hochhuth (autor de «O Vigário»), os diretores húngaros Miklos Jancso e Andras Kovacs e os escritores italianos Elsa Morante e Nelo Risi, divulgou hoje um apelo ao povo americano contra a perseguição a Angela Davis. Diz o documento: «Os signatários deste apelo se dirigem à opinião pública americana com a convicção de que esta saberá exprimir a profunda apreensão nutrida por milhares de intelectuais europeus, em relação ao caso de Angela Davis. O caso Dreyfus na Europa, o trágico destino de Sacco e Vanzetti na America, convenceram plenamente todas as pessoas …

"Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio", do Fredric Jameson (2)

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Antes de terminar o ano, eu quero voltar ao Jameson. Eu tinha parado quando o Guilherme tinha me feito duas perguntas (como anônimo) na primeira parte desse texto:

Aguardo ansioso sua colocação acerca do problema da autonomia. Estou ainda um pouco confuso acerca do que exatamente critica no autor. Certamente ficará mais clara quando escrever sobre sua apologia do capitalismo.
Vou responder mas, antes, vou falar de uma coisa que não tem nada a ver com o que ele perguntou (ele também faz isso comigo).
Por algumas circunstâncias (uma delas é que eu vou ter que devolver o livro), essa vai ser a postagem final da série, diferente das três ou quatro partes que eu tinha prometido, mas de que eu desisti (porque no fundo eu ainda pensava em fazer uma resenha do livro, ao contrário do que eu tinha falado na primeira parte).

O sujeito do realismo, do modernismo e do pós-modernismo
Pra começar, existe um tema importante de que eu não tinha conseguido falar na primeira parte, e que é a questão da…

o homem do balaio

Meus agradecimentos ao Max, que ajudou muito com algumas partes do conto!



O Homem do Balaio

- Zezinho, pare de arruaça! o homem do balaio vai levar tu e tua irmã!

Mas, dessa vez, Josefa não ouviu as manhas de Zezinho, e sim o choro soluçante da Mariazinha.

Ela foi correndo até o quintal, mas já não existia nenhum rastro do menino. O pregão do homem do balaio estava cada vez mais distante, "Verduras! Verduras! Menino, vem cá e chama a tua mãe!". estranhamente gritado num tom de tristeza.

Olhou pro caminho poeirento, não conseguiu pensar em nada e saiu atrás dele, matador de criança! na verdade, ninguém acreditava muito nas histórias sobre o homem do balaio, mas nada como o desespero para redespertar o ódio já sem motivo.

As pessoas da vila começaram a se mexer, a falar alto, com raiva, a procurar por todos os cantos. Quando chegaram na casa do homem do balaio, estava tudo revirado, indicando uma fuga às pressas. Mas pra onde?

Josefa não sabia o que fazer pra consolar Mariazin…

O formato do universo

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Muito obrigado ao Iruatã e ao Rodrigo, que me ajudaram com a parte de física!


I.

Eu sempre tento escrever sobre o meu pai. Não adianta contar tudo (isso é impossível), eu quero falar das duas coisas que eu acho marcantes que eu aprendi com ele.

As histórias de quando ele era pequeno, na Paraíba, eram as melhores.

A vez em que ele acordou, com uma Lua cheia gigante, tão grande que ele pensou que era o Sol, foi pescar na lagoa e teve que se esconder do pouso de um disco voador e da dança ritual de índios fantasmas.

A minha pobre tataravó, que foi raptada por um gigante que morava na Pedra do Soldado e ficou presa numa gaiola de ouro.

O terrível Papa-Figo, que sequestrava as crianças para comer o fígado, o que era a única cura para a sua estranha doença.

A Comadre Florzinha, que trançava a crina do cavalo dele e azedava o leite, e a vez em que a égua dele foi engravidada por um cavalo prehistórico e deu à um luz um cavalo azul nascido morto.

Quando eu tinha nove anos, e ele chegou com um…

Os Despossuídos, a utopia ambígua de Ursula K. Le Guin

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A Sabrina Gomes tá editando uma coletânea sobre distopias. Esse foi o texto que eu escrevi pra ela.


Os Despossuídos, a utopia ambígua de Ursula K. Le Guin


Por alguma razão, eu comecei a ler literatura pacifista e também me envolvi em protestos contra a guerra, Banir a Bomba e tudo o mais. Eu fui uma espécie de ativista pacifista por muito tempo, mas eu percebi que eu não sabia muito sobre a causa. Pra começar, eu nunca tinha lido Gandhi.
Então, eu me pus a estudar, e ler aquela literatura, e isso me levou ao utopismo. O que me levou, através de Kropotkin, ao anarquismo, anarquismo pacifista. Em algum momento, me ocorreu que ninguém tinha escrito uma utopia anarquista. Tínhamos utopias e distopias socialistas e todo o resto, mas anarquismo – isso ia ser legal. (Ursula K. Le Guin, A Arte da Ficção nº 221)

A ficção científica sempre foi, de uma forma mais ou menos aberta, um instrumento de reflexão e crítica social. Os deslocamentos no espaço, tempo e tecnologia servem para isolar um asp…

Alguns motivos para ser CONTRA o Projeto de Lei João W. Nery

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Fonte: Nosotras, las Brujas


Por Menstruakill




Alguns motivos para ser CONTRA o Projeto de Lei João W. Nery
Jean Wyllys e João Nery. Uma tristeza que a história do João esteja sendo usada para oportunismo.

Com as eleições chegando, os direitos da população LGBT viram oportunismo. A Marina Silva, atendendo aos pedidos de quem vai fazer campanha pra ela (os fundamentalistas), voltou atrás do programa pra questões LGBT que o PSB tinha formulado um dia antes. Entre outras medidas, ela retirou o apoio à criminalização da homofobia, e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. E ela também mudou a posição sobre a Lei João Nery, que é um projeto do Jean Wyllys (o mesmo que quer legitimar a cafetinagem através de outro PL absurdo e irresponsável). Em vez de lutar pela aprovação da lei, ela se comprometeu a impedir os “entraves burocráticos” pra ela ser aplicada, mas só no caso dela ser aprovada pelo congresso. A maioria das pessoas ainda não tá ciente do conteúdo dessa lei, e de porque ela é con…

“Black Flame”, de Lucien van der Walt e Michael Schmidt

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