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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Pequena História da Pintura Abstrata (1) - A desintegração do realismo

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Depois dessa parte conceitual, vamos à história em si.

Foram dois os fatores que criaram a situação social que levou ao enfraquecimento da figuração na pintura. E os dois são relacionados ao desenvolvimento das forças produtivas. Eles são


1) A invenção da fotografia

Não vou falar das descobertas e da evolução da fotografia. O que interessa é que, na segunda metade do século XIX, na mesma época do auge do realismo, a pintura, que era vista como uma reprodução da realidade, perdeu o terreno rapidamente para a fotografia.

Então, pra quê serviria a pintura? Foram os impressionistas que tentaram dar uma resposta a essa pergunta. O que é mais interessante é que a resposta deles foi progressiva, uma crítica imanente (ou seja, baseada nos mesmos pressupostos do que ela pretende criticar, e não em algo exterior a ele) que, em vez de cair no caminho fácil e romântico de negar a ciência, tentava usar as novas descobertas científicas na pintura, sem desnaturar a arte.

A solução foi linda: pintar…

Pequena História da Pintura Abstrata - (0) - Pressupostos

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Tudo isso parte de um fato: os quadros do Kandinsky, que eu sempre vi dançarem diante de mim, arrancando uma alegria musical. Não é possível negar a vida daqueles quadros, como eu escrevi um dia desses. Isso é do que trata a estética: ela corre atrás do fato da beleza e tenta explicar de que ela é feita.

O marxismo se baseia numa fenomenologia da vida cotidiana, como o Lukács mostrou na Ontologia do Ser Social. E o problema tem a ver com ele. Porque os quadros abstratos continuam de pé, o Miró, o Paul Klee, o Mondrian. Não adianta o Lukács tachar os caras de formalistas e falar que o mundo se evapora. Então, tem que ser procurada uma resposta.

O estranho é que eu procuro essa resposta com as mesmas ferramentas que o Lukács deu pra gente. O aparato conceitual dele me parece muito mais apropriado para a literatura em que, afinal, as palavras se relacionam diretamente com os gêneros, do que para a pintura, com cara de mímese direta da realidade.

Mas, por outro lado, o formalismo vazio n…