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O estudo da arte como cultura humanista (Meyer Schapiro)

O conceito do estudo da arte como "cultura humanista" é uma sobrevivência da educação clássica, e corresponde à substituição gradual da gramática das línguas clássicas pelo ensino da "civilização" e das artes clássicas. Assim como aquela se tornou uma disciplina estéril tão logo os valores do classicismo contemporâneo morreram em meados do século XIX, o estudo da civilização e das artes clássicas deixou de ter o seu antigo significado humanista quando esse classicismo morreu. A universalização do conceito de arte, de modo a incluir as artes não-clássicas, destruiu o valor original, normativo e ideal, do clássico; e isso ficou evidente na natureza reacionária dos movimentos que tentaram restaurar o classicismo no século XX como valor tanto moral como cultural. Assim, o conceito de "cultura humanista" é infectado por uma parcialidade suspeita em relação ao clássico e ao tradicional; o próprio fato de que a cultura humanista se opõe à científica, apesar do …

100 livros de ficção

Eu fiz uma lista de 100 livros pra ter um panorama da ficção mundial e de todos os tempos. Me baseei em umas listas que vi, mas alterei com umas coisas que eu tenho curiosidade de ler. Quem quiser ver, tá aqui:

Satyricon, Petrônio
As Mil e Uma Noites
Demanda do Santo Gral
O Romance da Rosa, Jean de Meun
Decameron, Bocaccio
Contos da Cantuária. Geoffrey Chaucer
Pantagruel, Rabelais
Lazarillo de Tormes
Dom Quixote, Cervantes
Robinson Crusoé, Daniel Defoe
As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift
As ligações perigosas, Choderlos de Laclos
Tristam Shandy, Laurence Sterne
O Sofrimentos do Jovem Werther, Goethe
120 Dias de Sodoma, Marquês de Sade
Orgulho e Preconceito, Jane Austen
Frankenstein, Mary Shelley
Ivanhoé, Walter Scott
Os Noivos, Alessandro Manzoni
O Capote, Nicolau Gogol
Grandes Esperanças, Charles Dickens
O Vermelho e o Negro, Stendhal
O Pai Goriot, Balzac
Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe
Moby Dick, Herman Melville
Madame Bovary, Gustave Flaubert
O Morro dos Ve…

Alguns pensamentos sobre Voegelin, Christopher Hill e Norman Cohn

Eu li recentementeA Nova Ciência da Política, do Voegelin, que é recomendado pelos olavetes. Seria uma recomendação bizarra se eles fossem mesmo conservadores, mas perfeitamente compreensível, já que são tradicionalistas guénonistas disfarçados, já que o Voegelin é um autor contrarrevolucionário tradicionalista (eu fiquei com vontade de ver as posições políticas concretas dele, mas não consegui achar). Aliás, a leitura altamente seletiva de autores conservadores pelos olavetes por si só já mostra que eles têm um viés que ignora um monte de conservadores importantes (por exemplo, o Ortega y Gasset, ou o Raymond Aron), porque têm muito mais simpatia por autores tradicionalistas, ocultistas e de extrema direita.

O mais interessante, pra mim, são algumas semelhanças e diferenças com outros autores que estudaram as heresias desse período que vai da Baixa Idade média até o começo da modernidade. Deles, os que eu acho mais próximos do tema são o marxista Christopher Hill (eu li O Mundo de Ca…

Oskar Lange sobre a relação entre o marxismo e a economia neoclássica

Essa é uma tradução de parte do artigo Economia Marxiana e Teoria Econômica Moderna, de 1935. O original está aqui.


Existem problemas diante dos quais a economia marxiana é impotente, enquanto a economia “burguesa” os resolve facilmente. O que a economia marxiana pode dizer sobre preços de monopólio? O que ela tem a dizer sobre os problemas fundamentais das teorias monetárias e do crédito? Que aparato ela tem a oferecer para analisar a incidência de um imposto, ou o efeito de uma certa inovação técnica sobre os salários? E (ironia do Destino!) em que a economia marxiana pode contribuir para o problema da distribuição ótima dos recursos produtivos numa economia socialista?

Claramente, os méritos relativos da economia marxiana e da moderna teoria econômica “burguesa” pertencem a “escalas” diferentes. A economia marxiana pode trabalhar a evolução econômica da sociedade capitalista em uma teoria consistente da qual a sua necessidade é deduzida, enquanto os economistas “burgueses” não con…

Meu conto curto "Morte Térmica" na Revista Mafagafo!

Pra ler, e só clicar na capa


O debate marxista sobre o futuro do capitalismo

Ludwig Meidner, Cidade em Chamas, 1913

Desde o final do século XIX, um dos debates mais importantes entre os marxistas foi sobre o curso histórico do sistema capitalista, e se seria possível identificar se existem limites absolutos que impediriam a sua sobrevivência a partir de algum momento. Mais recentemente, alguns autores têm feito previsões sobre o esgotamento final do capitalismo. Essa análise tem uma importância direta não só para situar a nossa etapa histórica, como tem consequências políticas (sobre o papel das reformas, do Estado, dos sindicatos etc), e posições diferentes sobre ela levaram à formulação de estratégias diferentes na esquerda marxista. Por exemplo, quase todas as correntes que reivindicam a Internacional Comunista defendem que no começo do século XX houve uma mudança qualitativa, quando surgiu a época imperialista, de decadência do capitalismo, crises, guerras e revoluções.  
O objetivo desse texto é, primeiro, delimitar quais deveriam ser os critérios para af…