“Black Flame”, de Lucien van der Walt e Michael Schmidt







O Felipe Corrêa me arrumou esse livro, eu vou falar algumas coisas sobre ele.

Pra começar, vamos ser justos. Esse livro é a melhor história do anarquismo que já foi escrita. O objetivo dos caras é romper com o eurocentrismo de todas as histórias do anarquismo escritas antes. E eles conseguem. É uma história realmente mundial, cobrindo todos os continentes. Eles levantam alguns temas que, até então, tinham aparecido somente em uma ou outra monografia rara, um grande exemplo sendo o papel dos anarquistas nos movimentos antiimperialistas asiáticos. Eles retiram do esquecimento (imposto pela classe dominante) algumas dezenas ou até centenas de militantes revolucionários.

O único livro que eu posso comparar com o Black Flame é o Histoire Génerale du Socialisme, editado pelo Jacques Droz, que tem umas 1400 páginas e, nos três primeiros volumes (até 1939), cobre praticamente tudo o que aconteceu no movimento socialista.

Todo mundo que faz parte do movimento socialista deveria comprar esse livro, e ter ele na cabeceira da cama, pra poder folhear de vez em quando.

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O livro em si tem 11 capítulos, sendo que o último é uma conclusão-antecipação do volume 2.

O capítulo 1 é uma metacrítica das definições de anarquismo entre os pesquisadores. Esse também é o tema de um dos livros Felipe Corrêa (Rediscutindo o Anarquismo), e é realmente chato para quem não é de ciências sociais. 

Nos capítulos 2 e 3, ao mesmo tempo em que eles fazem uma definição própria do que é anarquismo, eles tentam delimitar o anarquismo com o marxismo e o liberalismo.

Aí é que as coisas começam a ficar controversas, porque a definição de anarquismo deles vai enquadrar toda a história que eles vão escrever.

Como muitos já devem saber, eles excluem o anarcoindividualismo da definição que fazem do anarquismo, assim como todas as correntes filosóficas e religiosas anarcoindividualistas (anarquismo cristão tolstoiano, por exemplo). O argumento é que essas correntes são individualistas, portanto entram em conflito com os princípios do anarquismo, que é socialista.

Logicamente, essa definição é uma tautologia, eles excluem as correntes individualistas, mesmo as reconhecidas por outros anarquistas, pra depois tratar elas como se fossem exteriores ao anarquismo. O que fica são as correntes classistas, que eles passam a considerar como sendo o anarquismo.

Existe uma justificativa histórica pra fazer isso, é o fato do anarquismo, historicamente, ter se transformado em movimento de massas na Primeira Internacional, entre 1869 e 1872. Por outro lado, também existe a justificativa histórica de que, desde a década de 1880, vários individualistas, assim como jornais com uma orientação “filosófica” existiram, eram considerados anarquistas pelos anarquistas classistas e tiveram alguma influência sobre o próprio movimento operário.

Só pra dar um exemplo entre vários, o vegetarianismo era visto como uma posição anarquista por muitos anarcossindicalistas da Espanha, por influência de anarquistas naturistas, que pregavam uma “vida natural”.

O argumento de que aceitar as correntes individualistas seria transformar o anarquismo num saco de gatos também não me convence. Todo movimento com a amplitude semelhante à do anarquismo necessariamente é heterogêneo. É só comparar, por exemplo, com os partidos da Segunda Internacional, onde coexistiam os marxistas (ortodoxos, possibilistas, impossibilistas, revisionistas etc), com blanquistas, fabianos, socialistas cristãos etc.

Colocando o anarquismo classista como sendo o próprio anarquismo, o resultado é que todo o resto do livro vai ser a discussão de estratégias e táticas entre os anarquistas classistas. Por isso, boa parte do livro é uma discussão sobre o trabalho dos anarquistas nos sindicatos.

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O capítulo 3 é uma pausa para fazer uma delimitação com o marxismo e o liberalismo, antes de prosseguir. Ele é muito bom em resgatar a teoria do Proudhon. Eles não colocam o mutualismo proudhoniano como parte da tradição anarquista, mesmo o mutualismo tendo sido um movimento de massas, e sim como precursor. Como o mutualismo não era uma corrente de luta de classes e era gradualista, eles consideram que está fora da definição deles sobre o que é o anarquismo.

Eles também fazem uma delimitação com o marxismo. Geralmente, quando os anarquistas fazem isso, usam o famoso método do espantalho, fazendo uma caricatura ridícula do marxismo e depois criticando essa caricatura. Os autores pelo menos tentam evitar isso, mas como não se irritar com eles discutindo o que era a URSS? Eles explicam a posição do Trotsky (Estado operário degenerado) e depois contrapõem a ela a teoria do capitalismo de Estado, mas não mencionam que essa teoria (a mais errada de todas) também foi defendida por vários marxistas.

Eles também contestam a tese marxista de que o capitalismo é um progresso histórico, citando o Kropotkin, criticam o determinismo econômico de parte dos marxistas e defendem um conceito “mais amplo” (= diluído) de classe.

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No capítulo 4, eles criticam, com razão, a classificação tradicional que é feita, dividindo os anarquistas em coletivistas e anarcocomunistas. Como eles mostram, não tem sentido fazer uma divisão entre as formas atuais de anarquismo baseada na forma de distribuição dos bens depois da revolução, e existiram coletivistas e comunistas em todas as vertentes do anarquismo.

Inclusive, as divisões mais comuns entre as correntes do anarquismo que são feitas por aí costumam ser totalmente sem pé nem cabeça. Por exemplo, eu já vi classificações do tipo “anarcoindividualistas (o que é uma filosofia), anarquistas cristãos (filosofia), anarcossindicalistas (uma estratégia), plataformistas (forma de organização), coletivistas e anarcocomunistas (programa)”, tudo misturado!

Os autores, então, dizem que a divisão principal é entre anarquismo de massas e insurrecionalismo. Sinceramente, eu acho questionável dizer que o insurrecionalismo (propaganda pelo ato) seja uma estratégia. Não tenho certeza.

Vamos fazer uma comparação: as organizações guerrilheiras que faziam propaganda armada aqui no Brasil, na luta contra a ditadura. Existia essa ideia de que as ações iam desencadear um movimento de massas, mas isso não era a estratégia desses grupos, e sim uma tática, porque depois elas acreditavam que iam orientar esse movimento que surgisse da propaganda armada para o apoio às guerrilhas rurais, que eram a verdadeira estratégia.

Por outro lado, os próprios autores falam que os insurrecionalistas nunca passaram de uma pequena minoria, e que usam o exemplo deles porque é a melhor forma de contrastar com o anarquismo de massas. Eu vejo nisso uma estratégia, sim, mas discursiva, para criar uma contraposição dentro do anarquismo classista, para causar uma impressão de maior variedade, já que todas as outras correntes foram “cortadas” pela definição deles.

Por exemplo, o educacionismo (a ideia de que se chegaria ao anarquismo através da propaganda de ideias e educação), que muito provavelmente teve bem mais adeptos que o insurrecionalismo, também poderia ser considerado uma “estratégia” (não por mim, eu só uso esse conceito, nesse contexto, para falar de luta política) mas, como não fazia luta direta de classes, nem é mencionado no livro.

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Eles prosseguem, nos capítulos 5 a 8, analisando o anarquismo de massas e suas estratégias. O capítulo 5 é todo sobre a questão do sindicalismo. Eles mostram que a concepção que depois foi chamada de sindicalismo revolucionário já existia, pelo menos, desde a Primeira Internacional (se a gente for ver aquele livro do E. P. Thompson, A Formação da Classe Operária Inglesa, é capaz de ter começado na década de 1820!). Com a FORE (Federação Operária Regional Espanhola), eles dão o exemplo de uma organização sindicalista revolucionária já na década de 1870.

Eles mostram a falsidade da identificação do George Sorel com o anarcossindicalismo - na verdade, o Sorel era um filósofo pequeno-burguês irracionalista que identificava o anarquismo com a caricatura feita pela burguesia (culto da violência etc) e, coerente com as suas posições ideológicas, acabou aderindo ao fascismo.

No capítulo 6, eles mostram como foi a atividade anarcossindicalista contra a guerra, destacando que, diferente da Segunda Internacional, foi somente uma pequena minoria dos anarquistas que capitulou às “suas” burguesias durante a Primeira Guerra Mundial.

Ao falar da relação dos anarquistas com a estrutura sindical oficial, eles entram no debate importante, e compartilhado por toda a extrema-esquerda: devemos participar dos sindicatos estatizados ou devemos criar sindicatos independentes por fora deles? É nesse capítulo que eles explicam a cisão CNT x CGT na Espanha, em que a primeira, a mais estritamente anarcossindicalista, não participa de nenhuma eleição sindical, ao contrário da segunda (inclusive a adaptação da CGT é tão grande que eu lembra que, na época em que eu era anarquista, eles aceitaram a filiação de um sindicato de carcereiros).

Outra grande coisa, talvez a mais importante, que eles resgatam, é a contracultura operária criada pelo movimento anarquista, na forma de ateneus libertários, escolas e universidades populares, teatros, jornais etc. A partir do momento em que se concebe a luta revolucionária como uma luta a longo prazo pela hegemonia política na sociedade, essa contracultura é um instrumento estratégico fundamental. Décadas antes do Gramsci, os anarquistas já sabiam disso. Infelizmente, essa tradição foi mais uma das que foram destruídas pelo stalinismo. Como eu quero, nos próximos meses, escrever uma postagem sobre isso, falando da Segunda Internacional, deixo isso de lado por ora para prosseguir.

O capítulo 9 é uma polêmica contra a tese do excepcionalismo espanhol, ou seja, a ideia de que o anarquismo só conseguiu ser hegemônico no movimento de massas na Espanha. Usando os dados, principalmente da Ásia e da Europa Oriental, eles mostram que, mesmo a Espanha sendo o caso de maior peso numérico dos anarquistas no movimento (o dobro da Itália, que foi o segundo lugar), existiram vários outros países em que a influência do anarquismo chegou até a ser maior que na Espanha (como Argentina, onde praticamente todo o movimento operário era anarquista) e que o anarquismo esteve à frente de grandes movimentos revolucionários (como a revolução Kirin na Coreia). 

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Bem, eles consideram que o sindicalismo revolucionário faz parte da tradição anarquista em sentido amplo. Existe uma polêmica entre os historiadores sobre isso, e é muito difícil não reconhecer que a classificação dessa corrente é uma questão política, porque essa decisão muda o peso relativo do anarquismo dentro do movimento operário.

O sindicalismo revolucionário é definido no livro como uma “variante” ou “estratégia” do anarquismo. Se for uma estratégia, é uma estratégia que pode ser usada por outras correntes, como o deleonismo ou o conselhismo (que é uma espécie de versão marxista do anarcossindicalismo), o que não justifica ele ser igualado ao anarquismo. Dizer que é uma variante é manter a polêmica, mas mudando os termos: é uma variante que pode ser considerada parte do anarquismo, ou é outra coisa (pra quem é de Letras, é outra “língua” ou é um “dialeto” do anarquismo)?

Eu tendo a concordar que o sindicalismo revolucionário é uma estratégia, e que alguns dos seus defensores o viam como uma corrente socialista distinta, baseada em pressupostos diferentes do anarquismo e do marxismo (principalmente a centralidade da luta nos locais de trabalho como expressão direta da classe trabalhadora). Como os autores falam, alguns militantes do IWW tinham essa concepção.

Por outro lado, colocar o deleonismo na tradição anarquista em sentido amplo é muita sacanagem! O deleonismo era um exemplo típico do marxismo ortodoxo da Segunda Internacional, inclusive defendendo a estratégia de acumulação de forças e transição eleitoral para o socialismo. Se a participação do SLP no IWW prova que eles faziam parte da tradição anarquista, então o Partido Socialista americano está no mesmo caso.

Existe uma alternativa de classificação, que algumas pessoas usam, que é colocar o anarquismo, o deleonismo, o conselhismo, o autonomismo etc, dentro do guarda-chuva geral de “socialismo libertário”, entendido como sendo mais amplo que o anarquismo, incluindo correntes marxistas autogestionárias.

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Como eles são plataformistas, necessariamente vão dar um destaque para a questão da organização. No capítulo 10, eles começam falando do debate entre antiorganizacionistas e organizacionistas, que é uma constante dentro do anarquismo. O Stirner, que tinha sido barrado da tradição anarquista lá no primeiro capítulo, faz aqui o retorno do reprimido, aparecendo como o “fantasma de Stirner”, influenciando os antiorganizacionistas. Que coisa, né?

Eles dividem os organizacionistas entre os que consideravam que os sindicatos eram suficientes como forma de organização para a revolução e os dualistas, ou seja, os que defendem uma organização específica anarquista ao lado dos sindicatos, e atuando neles. Com razão, eles falam que as “minorias ativas” dos sindicalistas revolucionários, já eram uma organização específica informal, e que a tendência de uma organização sindical de massas é que as pessoas participem por causa da luta por reformas, o que pode transformar o sindicato em uma organização reformista se não houver um contrapeso dos revolucionários.

Claro que, mesmo essa sendo a explicação da traição da CNT, nada justifica eles chamarem a traição descarada (anarquistas aceitando ministérios durante uma revolução) de “erro estratégico”, ainda mais quando não existe a mesma “boa vontade” para falar das traições cometidas pelos marxistas. A subjetividade existe!

Mas existe também um debate sobre qual deve ser o papel e o grau de disciplina de uma organização anarquista. Aí é que entra o debate plataformismo x sintetismo. O Tárrida del Mármol, de que eu nunca tinha ouvido falar, foi o formulador da tese do “anarquismo sem adjetivos” que, no século XIX, serviu para unificar os coletivistas e anarcocomunistas em organizações comuns. Eles mostram como o anarquismo sem adjetivos foi evoluindo, na virada do século XX, para o sintetismo, mesmo que essa palavra só tenha surgido durante o debate sobre a plataforma.

Os sintetistas são os que querem unificar anarcoindividualistas, anarcossindicalistas e anarcocomunistas dentro de uma mesma organização. Logicamente, essa organização não tem como ser centralizada e o papel dela se limita a fazer campanhas durante o ano. O maior exemplo de sintetismo é a Federação Anarquista Francófona, que tem no seu currículo a glória duvidosa de não ter participado do Maio de 68.

Por outro lado, os plataformistas tentam se apresentar como os verdadeiros continuadores do bakuninismo, mais ou menos da mesma forma que os leninistas tendem a dizer que era necessário romper completamente com a forma de organização da socialdemocracia. Eu não concordo com isso. A Aliança do Bakunin não tinha o mesmo objetivo das organizações plataformistas, ela era o que hoje a gente chamaria de organização politicomilitar. Ou seja, a Aliança foi concebida diretamente pra atuar em insurreições, como a de 1873 na Espanha. É o mesmo caso de várias outras organizações específicas anarquistas até a década de 1920, incluindo o Partido Liberal Mexicano, que só virou anarquista durante a revolução, a Aliança Anarquista que tentou a insurreição de 1918 no Rio de Janeiro e a própria Nabat da revolução ucraniana.

Antes da plataforma, quando as organizações anarquistas não eram politicomilitares, eram sindicalistas ou o que se chamou depois de sintetistas. Foi unicamente depois da revolução russa, e sob influência dos bolcheviques, que os exilados ucranianos formularam um modelo de organização para intervir como corrente centralizada nas organizações de massas com o objetivo de ganhar influência política nelas.

Isso está nas entrelinhas da própria plataforma, e foi visto imediatamente pela quase totalidade dos anarquistas, quando ela foi publicada, o que é ilustrado pelo debate com o Malatesta, apesar dos autores quererem reduzir tudo a uma divergência de terminologia. Leia a correspondência e tire as suas próprias conclusões. Logicamente, os plataformistas vão dizer que não e bem assim e tal, mas o fundamental é que o papel da organização específica anarquista e a sua centralização são diferentes do que existia antes.     

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O capítulo 10 é o mais interessante do livro (o 3 fica em segundo lugar), é sobre a intervenção anarquista nos movimentos antiimperialistas, e como os anarquistas abordaram a questão racial e da mulher.

A parte sobre os movimentos antiimperialistas é linda e emocionante, principalmente quando fala das lutas na Ásia. Os autores mostram a tensão entre participar ou não das lutas antiimperialistas (que, afinal, visam criar Estados independentes), mas privilegiam os setores anarquistas que participaram (talvez fosse legal mostrar como os abstencionistas lidaram com essas lutas também).

Nem cabe aqui resumir alguns processos, inclusive isso é uma forçação de barra pra vocês lerem o livro!

A parte sobre a questão da mulher e o antirracismo poderia ter sido bem melhor. O que eu realmente gostei foi que eles mostraram a cena libertária sulafricana dos anos 1910, em que anarquistas e deleonistas fizeram movimentos contra o racismo. Mas duas coisas eu achei problemáticas.

Primeiro, que eles privilegiaram a corrente “classista”, ou seja, que defende que o machismo e o racismo são opressões específicas capitalistas, negando que a opressão da mulher ou dos negros tenha uma especificidade além da questão de classe. Existem outras concepções dentro do anarquismo, por exemplo, as plataformistas da Alternative Libertaire e as anarcofeministas defendem que o patriarcado é outro sistema de opressão, ao lado do capitalismo. Ou os anarquistas magonistas, que defendem que elementos da cultura indígena devem ser incorporados ao anarquismo. E essas concepções não aparecem no livro, acho que por causa da opção teórica dos autores.

Além disso, em parte como consequência do primeiro problema, eles privilegiam movimentos da “fase áurea” do anarquismo, como a IWW e as Mujeres Libres, e não falam de quando o feminismo e o antirracismo foram mais incorporados pelo anarquismo, a partir dos anos 70.

Infelizmente, eu fiquei com a mesma impressão de subestimação da questão da mulher e do antirracismo que eu vejo na esquerda em geral, ainda mais com os dois temas entalados em meio capítulo.  

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Pra concluir, porque eu já escrevi demais, eu tô ansioso pelo segundo volume, que vai ser uma história de como a “chama negra” se espalhou pelo mundo. O livro resgata a política do anarquismo, que foi soterrada por mentiras da academia, da mídia burguesa e das maiores correntes do movimento operário. Esse resgate é fundamental, não só do anarquismo, como das outras correntes, hoje extintas, do movimento operário.

Sendo comunista, eu prefiro olhar para o movimento socialista pra entender a derrota vergonhosa do final do século XX. Desse ponto de vista, é muito importante a gente se apropriar criticamente da teoria e da prática de todas as correntes revolucionárias, dentro e fora do    movimento operário, procurando pelo futuro escondido nelas. 

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