Banal (Luanda Davis e Rodrigo Silva)


De tanto derramar sentimentos pesados
nas almas e ações alheias,
a despedida foi feita em silêncio.
Tornei-me aquilo, que é, para todos: um nada a vagar.
Pactuei tentar parar de deixar vestígios acres
textos mal escritos para, quiçá, um filho ou sobrinho.
Os ossos estavam entulhados, de ressentimentos seculares;
demoraria
e muito,
para conviver em coletivo;
estava embotada em:
dores imaginárias,
amarguras homéricas
e cóleras.
Havia de reinventar-me;
para quiçá renascer, sem tantas ganas
de querer auto-aniquilar-me
e sim viver,
para fora.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A teoria marginalista do valor e a economia política neoclássica (Ernest Mandel)

"Problemas de Gênero", da Judith Butler

Apropriação cultural e racismo culturalista