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Mostrando postagens com o rótulo história

Dois paradigmas de modernidade (Enrique Dussel)

Frida Kahlo, Autorretrato na fronteira entre o México e os Estados Unidos  Definições             Semanticamente a palavra "modernidade" tem ambiguamente dois conteúdos: 1) Por seu conteúdo primário e positivo conceitual, a "modernidade" é emancipação racional. A emancipação como "saída"' da imaturidade através de um esforço da razão como processo crítico, que abre a Humanidade a um novo desenvolvimento histórico do ser humano. 2) Mas, ao mesmo tempo, por seu conteúdo secundário e negativo mítico , a "modernidade" é justificação de uma práxis irracional de violência. O mito poderia ser descrito assim: a) a civilização moderna se autocompreende como mais desenvolvida, superior (o que significará sustentar sem consciência uma posição ideologicamente eurocêntrica). b) A superioridade obriga, como exigência moral, a desenvolver os mais primitivos, rudes, bárbaros. c) O caminho do referido processo educativo de desenvolvimento deve ser o seguido ...

Legado Roubado (ou história mítica)? Os gregos roubaram a filosofia dos egípcios? (Mary Lefkowitz)

Skeptic, Vol. 2, No. 4, 1994, pp 98-103 Traduzido daqui       Frederick Arthur Bridgman,      A procissão do touro sagrado Anúbis  Desde sua publicação em 1954, Stolen Legacy , de George G. M. James, tem sido um best-seller entre povos de ascendência africana neste país. James foi um professor afro-americano de grego, cujos outros escritos tratam explicitamente de questões raciais. Stolen Legacy também trata do status dos negros, mas na história antiga, e não nos tempos modernos. A mensagem do livro é sensacionalista e revolucionária: "Os gregos não foram os autores da filosofia grega, e sim o povo negro do norte da África, os egípcios" (p. 158). Esta tese explica "a opinião mundial equivocada de que o continente africano não contribuiu para a civilização, e que seu povo é naturalmente atrasado", "a deturpação que se tornou a base do preconceito racial, que afetou todas as pessoas negras." Em vez disso, James oferece uma "Nova Filosofia da Redenção p...

"A Flauta Mágica" do Mozart e o sujeito do iluminismo

Esses dias eu assisti um vídeo da Flauta Mágica , e não tive como não pensar na tese do Robert Kurz e da Roswitha Scholz sobre o caráter androcêntrico e eurocêntrico do sujeito do iluminismo. Eu não concordo com eles, não, já escrevi aqui contra essa visão do iluminismo como um bloco, e sobre como existiram correntes iluministas radicais na teoria e na prática que fizeram essas mesmas críticas sobre o iluminismo moderado ... mas o Mozart era um iluminista moderado (o que não quer dizer que a música não seja maravilhosa). Eu nunca tinha assistido essa ópera mas, um dia desses, eu vi alguém dizer que é uma "ópera maçônica". Eu pensei que era um exagero comum de quem escreveu isso, mas não.  Os dois personagens principais, o Príncipe Tamino e o caçador de passarinhos Papageno são convocados pela Rainha da Noite pra salvar a filha dela, Pamina, que foi sequestrada pelo Sarastro (será uma referência ao Zaratustra?), um sábio. Quando eles chegam no reino do Sarastro, eles descobre...

Comentário do Bordiga sobre o curso histórico do capitalismo

No meio de várias loucuras, o Bordiga sempre conseguiu fazer algumas observações importantes sobre as questões estratégicas do movimento comunista. Traduzi esse trechinho da conferência A Reversão da Práxis porque ele contesta o declinismo que se tornou dominante entre os leninistas e até além deles (por exemplo, o Meszáros). Traduzi daqui .  Quadros I e II - A Sucessão das Formas de Produção Quadro I - Esquema da falsa teoria da "curva descendente" do desenvolvimento histórico do capitalismo Comentário ao Quadro I 1. Perante o atual estado confuso da ideologia, da organização e da ação revolucionárias, é um falso remédio contar com um declínio inevitável e progressivo do capitalismo, um processo alegadamente já em curso, e no fim do qual a revolução proletária supostamente está à espera. De facto, a curva do capitalismo não tem nenhum ramo descendente (Sumário, 1). 4. A teoria da curva descendente do capitalismo é totalmente errada e gera a questão inadequada de saber por qu...

"Radical Enlightenment", do Jonathan Israel

  Eu tinha conseguido um PDF desse livro (tem uma edição antiga em português, mas eu nunca vi), mas só agora eu parei pra ler. É um livro que o Kenan Malik recomenda muito , e que tem a ver com as minhas leituras sobre a questão do iluminismo . Não é fácil de ler. São mais de setecentas páginas, numa linguagem que eu achei rebuscada até pra esse tipo de obra acadêmica, com citações em inglês e francês do século XVII e trechos bem longos sobre dezenas de figuras históricas que hoje são quase desconhecidas. Tinha hora que dava vontade de desistir, mas valeu a pena.  O Jonathan Israel é um historiador dos Países Baixos no século de ouro, e tem três teses principais: primeiro, que o florescimento do iluminismo a partir do meio do século XVIII foi o resultado de um processo longo, que começou aproximadamente em 1650, com o surgimento da "Nova Filosofia" cartesiana. Depois, que esse foi um processo internacional (rejeitando as concepções de centralidade francesa, britânica, e a de ...

Greves 1850-2020

  Usando as informações do Instituto Internacional de História Social de Amsterdam , eu fiz esse gráfico com os dados oficiais sobre greves, cobrindo o período de 1850 a 2020. As informações de 2010 para cá estão incompletas, então provavelmente o gráfico não reflete a realidade (por exemplo, não tem a onda de greves da Primavera Árabe e as greves gerais na Índia mais recentes), mas eu coloquei para ter todos os dados. Criei a tabela no Infogram .  Line Chart Infogram

Áudio sobre o bordiguismo

  Esse é um áudio que eu fiz ano passado num grupo, fazendo um pequeno histórico da corrente bordiguista. Pra ouvir, é só clicar no link, da imagem. Digam depois se tá bom o som e se ficou fácil de entender, ou se precisa editar ou corrigir alguma parte, por favor.

Live "Tributo aos 200 anos de Friedrich Engels: Vida, Obra e Atualidade para a Esquerda", do Coletivo Judaico de Esquerda

  Clique na imagem pra acessar o vídeo

Comentários sobre alguns temas da direita brasileira

Essa semana eu li a monografia  A História fetichista: o aparelho de hegemonia filosófico Instituto Brasileiro de Filosofia/Convivium (1964-1985) . Fiquei pensando numa coisa que de vez em quando me passa pela cabeça, um tipo de história alternativa: vamos dizer que o olavismo fosse mesmo uma direita conservadora, e não um tapa-buraco ideológico/ folha de parreira do populismo de direita. O que eles iam fazer?  Se eles acreditassem mesmo em recriar a alta cultura no Brasil, uma das primeiras tarefas seria disputar a historiografia. Pelo caráter polêmico e decisivo, cinco momentos da história do Brasil teriam que ser reavaliados e colocados numa nova narrativa: - a colonização, que teria que ser transformada, de extração das matérias-primas pra vender no mercado mundial, em alguma coisa como uma obra civilizatória cristã. Talvez o Gilberto Freyre pudesse der invocado pra essa leitura mais positiva da colonização. - o Império, em que a persistência da escravidão e o processo de transform...

Uma história sem povo: Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Holanda etc

Tem uns livros que foram importantes durante o século XX para o debate sobre o que é ser brasileiro e qual é a especificidade do Brasil em relação aos outros países da América Latina.  O Augusto Buonicore escreveu uma série sobre isso , mas eu não acho que todos os autores que ele escolheu são representativos da mesma forma. Me arrisco a dizer que os mais marcantes são o Gilberto Freyre, o Sérgio Buarque de Holanda e o Raymundo Faoro. Eu li Raízes do Brasil , do Sérgio Buarque, recentemente, e isso me fez pensar em algumas características que já aparecem lá em 1936, e que também aparecerem no marxismo hegemônico no Brasil.  Esse trio de autores não marxistas se tornou hegemônico na autocompreensão do Brasil, apesar de que eles não são complementares e não cobrem terrenos de igual importância. Os dois primeiros tentam entender a cultura e o Faoro, o poder político. Além disso, os que escrevem sobre a cultura têm pontos de vista diferentes. O Freyre fala das relaçõe...