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Mostrando postagens de 2015

A extrema-esquerda contra a sua base

Escrito por Kátia Cajá e Rodrigo Silva Como trotskistas, temos imensa preocupação com o que nos parece uma tendência de desintegração das organizações de extrema-esquerda, processo esse que se acelera desde a crise de 2008. Mas primeiro, o que estamos chamando de extrema esquerda? Uma definição formal diria que são as organizações socialistas que não aceitam as regras da democracia parlamentar e que, portanto, usam principalmente meios extraparlamentares de luta. Mais especificamente, eu estamos falando das organizações políticas de extrema esquerda, e não dos movimentos sociais. É um campo que vai de setores do PSOL, passando pelo PCB, PCR, PSTU até as seitas marxistas-leninistas, trotskistas, maoístas e anarquistas, além dos poucos e pequenos grupos não afiliados a nenhuma dessas correntes. (Nem todo grupo pequeno é uma seita, para ter a "honra" de ser chamada assim, a organização deve se considerar a detentora da Única Política Correta, intervir no movimento p

Ciências e política: "diz estudo", "pesquisas comprovam" etc

Meus agradecimentos à Cyntia e ao Luther, que discutiram comigo sobre o rascunho! franjas de interferência Eu tenho visto uma tendência na Internet de usar pesquisas científicas recentes na base do  pick and choose pra justificar os seus posicionamentos políticos em debates. Em primeiro lugar, o que é irritante é o critério. Pra usar as palavras do ex-ministro Rubens Ricupero, "o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde". As pessoas tendenciosamente escolhem as notícias que favorecem o que elas defendem e escondem as outras. Mas tem dois outros problemas até piores, que são: - não aceitar que uma parte normal do funcionamento das ciências (todas) é a disputa entre explicações alternativas para os mesmos fenômenos. Uma questão não vai ser fechada porque "conclui estudo" que x tá certo e y errado. Muito provavelmente, alguma pesquisa vai sair em pouco tempo, apontando para conclusões diferentes. É só depois de uma série exaustiva de deb

Três notas sobre a revolução em “O Reino deste mundo” e “O Cerco”, de Alejo Carpentier - (I)

Eu gostei muito de O Cerco , e pude reler também O Reino deste mundo , do cubano Alejo Carpentier. O Reino deste mundo , em particular, tem um valor sentimental pra mim, porque a gente leu (Elaine, Renata, Jobson, Antônio, Rafael e eu) esse livro num grupo de estudo em 2002-2003, junto com Jacobinos Negros , do C. L. R. James e O Curto Verão da Anarquia , do Hans Magnus Enzensberger, logo quando eu tava rompendo o anarquismo. O Cerco acontece durante uma execução da Eroica , do Beethoven, então também não tem como não gostar. Eu achei os livros interessantes também (são duas obras-primas), lendo agora, porque o Carpentier, sendo uma espécie de nacionalista revolucionário, fala sobre os movimentos revolucionários (em O Cerco , a luta contra a ditadura Machado em Cuba, em O Reino deste mundo , sobre a revolução haitiana) levantando sempre várias concepções alienadas que se reproduziram nas cabeças de muita gente da esquerda não só da América Latina. Aí, eu vou falar de três

Debate: Anarquismo, Racismo e Revolução Negra

Meus agradecimento ao pessoal da FARJ! O evento no facebook é esse aqui

Apropriação cultural e racismo culturalista

Tinariwen, blues berbere Escrito junto com a Tatiana Costa Esse texto é o resultado de uma reflexão sobre uma tendência cada vez mais forte dentro dos movimentos sociais. Desde já declaramos que o movimento operário, assim como os novos movimentos sociais influenciados ideologicamente 1 pelas várias correntes do socialismo, são tão machistas e racistas como o restante da sociedade em que atuam, isso quando não usam de argumentos “socialistas” pra justificar o seu masculinismo e supremacismo branco com apelos à “unidade da classe”, “luta contra o 'verdadeiro' inimigo” etc. Porém, o nosso objetivo é argumentar que os vários elementos ideológicos pós-modernos (lugar de fala), culturalistas (apropriação cultural) ou formalistas ( teoria do privilégio ) difundidos através da internet tentam combater as concepções erradas com outras tão ruins quanto ou até piores. No final, vamos tentar propor formas de combate ao masculinismo e à supremacia branca na esquerda