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Mostrando postagens com o rótulo relativismo cultural

Etnografia e relativismo (Maxime Rodinson)

O Christophe Darmangeat chamou atenção, no site dele, sobre dois textos que o Maxime Rodinson publicou em La Nouvelle Critique, que era a revista teórica do PCF nos anos 50 . Eu gosto muito do Rodinson, que é o maior especialista em Islã no marxismo e que deu contribuições interessantes sobre a questão judaica, então traduzi esse texto.  ETNOGRAFIA E RELATIVISMO Muitas vezes, não se compreende nossa obstinação em lutar contra ideologias, teses que parecem aparentemente inofensivas e, em todo caso, distantes da luta de classes prática, da luta pela independência nacional, pela paz e pela liberdade, que consideramos primordiais. Isso ocorre porque o caminho é muitas vezes longo, desde as ideias até suas consequências práticas, e poucos o percorrem em espírito até o fim. Pensamos que tal ideia leva logicamente à justificação de tal e tal atitude prejudicial. Aqueles que a professam provavelmente param no meio do caminho, um quarto ou oitavo do caminho; mas as ideias são inexoráveis......

Nem toda política é identitária (Kenan Malik)

Traduzido a partir daqui "Toda política é identitária". E "sem políticas identitárias, não pode haver defesa dos direitos das mulheres ou dos direitos dos grupos minoritários". Essa são as duas defesas contemporâneas mais comuns das políticas identitárias. À medida que as críticas às políticas identitárias se tornaram desenvolvidas e ferozes, a defesa também ficaram. Então, eu quero começar uma crítica da crítica, por assim dizer, e assim reafirmar a necessidade de desafiar as políticas identitárias. As identidades são, obviamente, de grande importância. Dão a cada um de nós um senso de nós mesmos, de nosso enraizamento no mundo e de nossos relacionamentos com os outros. Ao mesmo tempo, a política é um meio, ou deveria ser um meio, para nós levar além do senso estreito de identidade dado a cada um de nós pelas circunstâncias específicas de nossas vidas e pelas particularidades das experiências pessoais. Como adolescente, fui atraído pela política por cau...

Orientalismo e orientalismo invertido (Sadiq Al-Azm)

Sadiq Al-Azm (1934-2016) foi o maior teórico marxista sírio. Essa obra é fundamental para a crítica ao conceito culturalista de orientalismo, que tem sido uma barreira para a compreensão da história e da sociedade dos países orientais. Para conhecer melhor o pensamento dele, recomendo essa entrevista aqui . Eu traduzi a partir do texto em inglês aqui   Orientalismo e orientalismo invertido Parte 1: Orientalismo No seu livro vivamente debatido 1 , Edward Said nos introduz ao tema do “orientalismo”, através de uma ampla perspectiva histórica que situa o interesse da Europa pelo Oriente no contexto da expansão histórica geral da Europa burguesa moderna para além dos seus limites tradicionais, e às expensas do resto do mundo, na forma de subjugação, pilhagem e exploração. Nesse sentido, o orientalismo pode ser visto como um fenômeno crescente complexo, derivado da tendência histórica geral da expansão e evolução da Europa moderna: uma série de instituições que se expand...