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Alice Neel, Meyer Schapiro, 1947 |
O fato de que o ensino das ciências, em muitos casos, tenha pouco valor cultural ou civilizatório não justifica a segregação das artes como um contracampo; o mesmo pode ser dito sobre o ensino das artes, que também é notoriamente ruim. Não podemos esperar até que exista uma sociedade melhor.
Se o humanista diz que isso é assunto para os políticos, e não para os humanistas, que o assunto dos humanistas é educar os políticos em tradição, moralidade e cultura, então ou ele acredita que a tradição, a moralidade e a cultura são suficientes para guiar os políticos, e que o ensino das humanidades vai treinar as pessoas para preservar os valores humanistas (caso em que ele deve encontrar os meios para introduzir essa formação humanista, e talvez vá precisar lutar para conseguir isso mas, sem ter os políticos formados em humanismo para lutar por ele, vai ter que abandonar os prospectos para o humanismo em desespero), ou acredita que tudo o que pode fazer é preparar as pessoas para o humanismo, seja isso ou não o suficiente para atingir uma vida boa porque, como erudito, ele só tem um dever, que é o ensino do humanismo.
Reconhecemos que os estudantes das disciplinas humanistas, desde o começo, têm sido responsáveis por alguns dos mais negros crimes da história que, nos campos dos fascistas e dos não-fascistas, são produtos tanto das disciplinas humanistas e não-humanistas, e que, dessas disciplinas, podem-se deduzir tanto políticas de compaixão como de brutalidade, a preservação ou a destruição da arte.
É necessária uma certa complacência sem vergonha para se acreditar que tudo o que houve de bom nos últimos cem anos veio dos ideais humanistas, e que tudo dê mau veio dos antihumanistas. Talvez seja assim, mas então temos que concluir que o humanismo pode ser encontrado em qualquer lugar, talvez menos entre os humanistas.
Worldview in Painting - Art and Society. Pág 111-112.
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