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Mostrando postagens com o rótulo poesia

Lançamento do livro "Araucanía", do Luiz Andrade!

  A editora Alma Revolucionária tá lançando o terceiro livro do poeta Luizinho, que eu tive a alegria de escrever o prefácio. Se você quiser comprar, é só clicar na imagem

"Vazio de Dentro", do Luiz Andrade

Para comprar o livro, fale com o autor pelo e-mail luizim23@gmail.com  Essa vontade triste de ser e acabar-se sempre no antes Vazio de Dentro (2020) é o segundo livro do Luiz Andrade, o primeiro foi Matutando (2017). Esse faz parte do outro pólo do mundo do autor. O Matutando fala muito do universo rural mineiro, evocando a infância, a família, a natureza, enquanto Vazio de Dentro é a passagem pro mundo urbano.  Ele se divide em duas partes, que tecnicamente são bem diferentes, quase que dois livros quase independentes - ou então, a primeira parte, com epígrafe do Álvaro de Campos, o heterônimo mais urbano do Fernando Pessoa (“porque ser é ser bastardo/ e só Deus nos servia”) é meio que a suma do que é explicado mais narrativa e discursivamente na segunda parte, com epígrafe do Alberto Caeiro (“não acredito que eu existe por detrás de mim”). Os poemas da primeira parte são curtos, algumas vezes lembram haikais (“embarquinho de papel/ sopra o vento da memória/ na proa rasa ...

NaPoWriMo

Algumas pessoas já conhecem o NaNoWriMo (National Novel Writing Month, Mês Nacional de Escrita de Romance), que acontece todo mês de novembro, e onde o objetivo é escrever um romance com pelo menos 50 mil palavras. Esse evento foi criado nos EUA, mas aqui no Brasil muita gente já participa. O NaPoWriMo (National Poetry Writing Month, Mês Nacional de Escrita de Poesia) não é tão conhecido, mas acontece em abril e o objetivo é escrever um poema por dia. Esse site aqui fala como tem sido feito por aí. Eu ainda não encontrei nenhum grupo em português que esteja se preparando para o NaPoWriMo, mas eu vou tentar realizar esse desafio em abril, e vou postar no Medium . Como é meio pesado escrever um poema por dia, eu já tô fazendo algumas anotações pra facilitar. Então, o objetivo dessa postagem não é só avisar isso, é, principalmente, convidar quem gosta de poesia pra participar também. De repente a gente pode criar um grupo no Facebook ou uma publicação no Medium pra encaminhar isso...

Dolor (Theodore Roethke)

Eu conheci a inexorável tristeza dos lápis, Perfeitos nas caixas, dolor de carimbeira e peso de papel, Toda a miséria das pastas de arquivo e goma arábica, Desolação em locais públicos imaculados, Sala de visitas solitária, lavabo, trocador, O pathos inalterável da bacia e do caneco, Ritual de etiquetadora, clipe, vírgula, Duplicação infinita de vidas e objetos. E vi o pó das paredes das instituições, Mais fino que farinha, vivo, mais perigoso que sílica, Filtrado, quase invisível, por longas tardes de tédio, Colando um fino filme nas unhas e sobrancelhas delicadas, Esmaltando o cabelo branco, as usuais faces cinzas duplicadas.

Banal (Luanda Davis e Rodrigo Silva)

De tanto derramar sentimentos pesados nas almas e ações alheias, a despedida foi feita em silêncio. Tornei-me aquilo, que é, para todos: um nada a vagar. Pactuei tentar parar de deixar vestígios acres textos mal escritos para, quiçá, um filho ou sobrinho. Os ossos estavam entulhados, de ressentimentos seculares; demoraria e muito, para conviver em coletivo; estava embotada em: dores imaginárias, amarguras homéricas e cóleras. Havia de reinventar-me; para quiçá renascer, sem tantas ganas de querer auto-aniquilar-me e sim viver, para fora.

Poda (Depois), de Theodore Roethke

Theodore Roethke (1908-1963) foi um poeta americano, a obra dele geralmente é intimista. Esse poema aqui faz parte da série dos poemas da estufa, autobiográficos, porque ele cresceu na estufa do pai, que era floricultor. Poda (Depois) Esta ânsia, luta, ressurreição de galhos secos, Poda os talos que forçam para pôr os pés no chão, Que santo tanto se esforçou, Se ergueu em tais membros cortados para uma vida nova? Posso ouvir, subterrâneo, este sugar e soluçar, Nas veias, nos ossos, eu o sinto,-- As aguinhas brotando em cima, Os grãos duros finalmente partindo. Quando os brotos nascem, Escorregadios como peixes, Desanimo, inclino-me ao começo, úmido, na bainha.

A menina, os balões e o simbolismo

A menina, os balões e o simbolismo A menina e os balões ao seu redor; poemas não definirão, o encontro explosivo entre Kandisky e o universo particular; sem notar, deu vida, aos que labutam; para que, jardins floresçam em seu interior. Poema de Luanda Davis Foto Rafaela Magnani  

MANTEIGA... MARGARINA VERMELHA (Rafael Maieiro Duarte)

MANTEIGA... MARGARINA VERMELHA [Pensamentos sobre este (abaixo) quadro de Alberto Burri]   Para Do Ó do alifático vem um vermelho que bolha, e em sua turgidez explode - ao gosto de sua estilística, por favor - como o mais novo universo, ou como um peido ; ou, ainda, como síntese: as cicatrizes de um universo murcho ao lado dessa cena, o mesmo alifático olfato agora em trapo-top vermelho: também seios e tudo cor textura paladar vermelho-cicatriz

Em defesa do Renato Russo, contra seus fãs e seus detratores

O objetivo dessa postagem é preservar a minha paciência, que será agredida constantemente durante o mês por causa dos novos filmes sobre a vida e a obra do Renato Russo ( Somos Tão Jovens e Faroeste Caboclo ).  Como todo mundo sabe, eu e a Mari vamos ver todos os filmes, e eu vou chorar lágrimas de sangue e sair desidratado e carregado do cinema.  Quando eu ouvir ou a ladainha dos haters (ou pior, dos que preferem Morrissey do que o Renato Russo, sendo que o Renato Russo era melhor letrista e o som do The Smiths também era sofrível) ou as pessoas que vão ao extremo do fanatismo e chegam até a dizer que Legião Urbana é banda de rock, eu vou simplesmente postar o link e desligar o computador, não sendo necessário nem debater nem jogar o notebook na parede. Se alguém achar que é indireta, transformo em direta e digo que as fontes imediatas da postagem são a Maria Gabriela e o Luther Blisset . Pra evitar tempo perdido, vou logo esclarecendo alguns fatos que não podem...

Dois poemas de Mansur Al-Hallaj

Mansur al-Hallaj (= O Cardador, porque ele era tecelão), poeta e santo, foi o grande mártir do sufismo. Ele foi crucificado em 927 porque disse "Eu sou A Verdade", expressando assim a Unidade com Deus. Qualquer semelhança com Jesus não é mera coincidência. Matem-me, fiéis amigos Matem-me, fiéis amigos Porque em ser morto está a minha vida Amor é o que resta na frente do teu Amado Quando estás despido de todos os atributos Então Seus atributos se tornam tuas qualidades Entre mim e Ti, apenas eu estou Tire o mim, e só Tu ficarás Testemunhei meu Criador Testemunhei meu criador com os olhos do coração. Perguntei, "Quem és", Eles respondeu: "Tu" Para ti não se pode perguntar "Onde?" Porque onde é o Onde para ti? Tu não passarás pela imaginação Senão, saberemos onde Tu estás. Tu és Quem está em toda parte Ainda assim, em lugar nenhum. Onde estás? Na minha aniquilação está a aniquilação da minha aniquilação E Tu Te encontras na minha aniqui...