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Postagens

Anotações sobre a Dialética Negativa, do Adorno

Por quê o Adorno? O Adorno é um cara tão difícil que eu preciso escrever essa postagem pra os conceitos não desaparecerem assim que eu fechar o livro e devolver pra biblioteca do CCBB. Pra explicar pra mim mesmo, antes vou falar pra vocês o que me trouxe aqui. Bem, eu tive algumas aulas sobre a Escola de Frankfurt lá no Pedro II. Mas eu só fui procurar mesmo saber deles quando eu comecei a entender do que eles tavam falando. Bem, na constelação do pensamento marxista, o Adorno e o Althusser sempre foram os dois pólos na minha cabeça, inconciliáveis. Diferente do Gramsci e do Lukács que, mesmo com as suas respectivas diferenças filosóficas informando as suas teorias, acabavam formulando o que era uma estratégia alternativa para a tomada do poder nos países capitalistas avançados – uma tarefa até hoje fracassada, o Althusser e o Adorno viam centralmente uma falha filosófica na base desse fracasso. E eles foram, cada um pelo seu caminho, procurar reconstruir o marxismo à lu...

A origem da vida: Alexander Oparin x Richard Dawkins

Milhões de agradecimentos ao hectofloricultor Luther Blisset e ao meu professor Haroldo Lemos, que revisaram e corrigiram isso aqui! E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão  (Gonzaguinha)  Dando uma pausa nos contos - que são muito mais difíceis de escrever - seria uma boa tocar num assunto que tem a ver com a filosofia do materialismo dialético, como eu já tinha feito em outras postagens. Esse assunto é a origem da vida. É um tema que me interessa porque eu acho que é um dos pontos-chaves que são atacados pelos fundamentalistas hoje em dia, na sua tentativa de desacreditar as ciências (os outros são o Big Bang e a Evolução). Mas eu não quero falar de um ponto de vista biológico, e sim filosófico, porque eu penso que a ideologia dominante sobre a origem da vida é irracionalista. E eu, que tenho dado umas porradas no marxismo ortodoxo nesse blog, acho que deveria defender um stalinista muito ortodoxo que faz um grande acerto ao colocar as suas pesquis...

A decadência da ficção científica (parte 2)

VII. Alguém pode argumentar: ah, mas isso de imaginação regressiva só vale pra ficção espacial, você não foi pras áreas mais "técnicas" da FC. Nada disso! Apesar desse tema de viagem no tempo ser chato pra caramba (porque tudo se resume à uma disputa física e filosófica sobre o que é a linha de tempo, ou seja, se ela pode se alternar ou se tentar alterar o passado cria um universo paralelo), vamos lembrar que nenhum livro interessante pode ser escrito em cima dos aspectos puramente técnicos. Um livro que é considerado o primeiro da FC por muitos, A Máquina do Tempo , de H. G. Wells, por exemplo, consegue usar o tema da viagem no tempo para falar das contradições sociais no capitalismo (o Wells era socialista, ou mais especificamente, socialdemocrata, e tem uma entrevista famosa dele com o Stálin). A civilização do futuro é dividida entre os Morlocks, que vivem em máquinas nos subterrâneos, e são os descendentes dos operários, e os Elois, incapazes de traba...

A decadência da ficção científica (parte 1)

O futuro não é mais o que era antigamente Renato Russo Onde se tenta provar que a ficção científica acabou porque o futuro acabou I. Não acredito que algum fã de ficção científica em sã consciência ache que o gênero não está em crise há quase trinta anos. Os clássicos foram morrendo, e ninguém veio depois deles. A FC hoje se resume a comentários, pastiches e paródias dos clássicos, ou se degradou em literatura infantojuvenil. Ela ainda sobrevive em alguns roteiros de cinema ( Matrix ou Distrito 9 , só pra falar de dois), mas a literatura está estagnada e sendo lentamente sugada pela fantasia. Eu acredito que exista um contexto maior determinando isso, que é o fim da literatura, desde a década de 1970. O que o estilo pós-modernista expressa é justamente o esgotamento do conteúdo especificamente literário, que determinaria as novas formas. Em vez disso, o pós-modernismo é um milk shake de formas antigas, quando não é uma "radicalização" experimental que fica bem aq...

Black Sabbath, banda formada por operários antiimperialistas!

Quando hoje a gente vê a decadência do metal e, pior ainda, a maioria do público do estilo, formado por jovens facistoides de classe média, a gente acaba esquecendo que poderia ter sido diferente - e que, realmente, as coisas eram diferentes no começo. Por isso essa postagem sobre o Black Sabbath. A cultura e a posição de classe do heavy metal setentista Antes de tudo, temos que entender o contexto em que surgiu o heavy metal. O rock tem a sua origem no blues, como todo mundo sabe. Então, era música negra de resistência (e defendia a liberdade sexual da juventude, assim como a melhor parte do funk putaria de hoje), até ser absorvido pelo mercado e embranquecido na época da "invasão inglesa" (1962). Os Beatles, que eram a principal banda da invasão inglesa, se redimiram assumindo o seu papel na segunda radicalização do rock'n'roll (1966-1967). Nesse momento, a radicalização do rock refletia a radicalização mais geral da sociedade, tanto nos países imperialist...