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Postagens

A origem da vida: Alexander Oparin x Richard Dawkins

Milhões de agradecimentos ao hectofloricultor Luther Blisset e ao meu professor Haroldo Lemos, que revisaram e corrigiram isso aqui! E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão  (Gonzaguinha)  Dando uma pausa nos contos - que são muito mais difíceis de escrever - seria uma boa tocar num assunto que tem a ver com a filosofia do materialismo dialético, como eu já tinha feito em outras postagens. Esse assunto é a origem da vida. É um tema que me interessa porque eu acho que é um dos pontos-chaves que são atacados pelos fundamentalistas hoje em dia, na sua tentativa de desacreditar as ciências (os outros são o Big Bang e a Evolução). Mas eu não quero falar de um ponto de vista biológico, e sim filosófico, porque eu penso que a ideologia dominante sobre a origem da vida é irracionalista. E eu, que tenho dado umas porradas no marxismo ortodoxo nesse blog, acho que deveria defender um stalinista muito ortodoxo que faz um grande acerto ao colocar as suas pesquis...

A decadência da ficção científica (parte 2)

VII. Alguém pode argumentar: ah, mas isso de imaginação regressiva só vale pra ficção espacial, você não foi pras áreas mais "técnicas" da FC. Nada disso! Apesar desse tema de viagem no tempo ser chato pra caramba (porque tudo se resume à uma disputa física e filosófica sobre o que é a linha de tempo, ou seja, se ela pode se alternar ou se tentar alterar o passado cria um universo paralelo), vamos lembrar que nenhum livro interessante pode ser escrito em cima dos aspectos puramente técnicos. Um livro que é considerado o primeiro da FC por muitos, A Máquina do Tempo , de H. G. Wells, por exemplo, consegue usar o tema da viagem no tempo para falar das contradições sociais no capitalismo (o Wells era socialista, ou mais especificamente, socialdemocrata, e tem uma entrevista famosa dele com o Stálin). A civilização do futuro é dividida entre os Morlocks, que vivem em máquinas nos subterrâneos, e são os descendentes dos operários, e os Elois, incapazes de traba...

A decadência da ficção científica (parte 1)

O futuro não é mais o que era antigamente Renato Russo Onde se tenta provar que a ficção científica acabou porque o futuro acabou I. Não acredito que algum fã de ficção científica em sã consciência ache que o gênero não está em crise há quase trinta anos. Os clássicos foram morrendo, e ninguém veio depois deles. A FC hoje se resume a comentários, pastiches e paródias dos clássicos, ou se degradou em literatura infantojuvenil. Ela ainda sobrevive em alguns roteiros de cinema ( Matrix ou Distrito 9 , só pra falar de dois), mas a literatura está estagnada e sendo lentamente sugada pela fantasia. Eu acredito que exista um contexto maior determinando isso, que é o fim da literatura, desde a década de 1970. O que o estilo pós-modernista expressa é justamente o esgotamento do conteúdo especificamente literário, que determinaria as novas formas. Em vez disso, o pós-modernismo é um milk shake de formas antigas, quando não é uma "radicalização" experimental que fica bem aq...

Black Sabbath, banda formada por operários antiimperialistas!

Quando hoje a gente vê a decadência do metal e, pior ainda, a maioria do público do estilo, formado por jovens facistoides de classe média, a gente acaba esquecendo que poderia ter sido diferente - e que, realmente, as coisas eram diferentes no começo. Por isso essa postagem sobre o Black Sabbath. A cultura e a posição de classe do heavy metal setentista Antes de tudo, temos que entender o contexto em que surgiu o heavy metal. O rock tem a sua origem no blues, como todo mundo sabe. Então, era música negra de resistência (e defendia a liberdade sexual da juventude, assim como a melhor parte do funk putaria de hoje), até ser absorvido pelo mercado e embranquecido na época da "invasão inglesa" (1962). Os Beatles, que eram a principal banda da invasão inglesa, se redimiram assumindo o seu papel na segunda radicalização do rock'n'roll (1966-1967). Nesse momento, a radicalização do rock refletia a radicalização mais geral da sociedade, tanto nos países imperialist...

O mito do comunismo primitivo

Çatalhuyuk, atual Turquia VIII milênio aC Sobre A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado O mês tá acabando, e eu não quero deixar o blog em branco, então vou escrever uma coisinha que eu tava querendo. Como todo mundo sabe, eu não estudei história nem biologia (sou formado em letras), então meu conhecimento sobre o assunto é de segunda mão (coisas que eu li). Mas isso ainda tá muito acima da maioria das pessoas que, por se reivindicarem marxistas, ainda acham que o  Origem da Família dá uma descrição minimamente certa do que foi o começo da civilização. Bem, um projeto que meu querido Rodrigo Santos sempre teve, e que eu acho uma grande ideia, é reescrever a Dialética da Natureza , a partir da linha de frente das descobertas nas ciências da natureza. Um trabalho preliminar para isso seria levantar essas atualizações. Na minha opinião, se trata principalmente da física, da cosmologia, da pesquisa sobre a origem da vida e da evolução, incluindo a humana...

Para Além do Princípio do Prazer

Como eu tenho que devolver o livro, vou anotar aqui algumas impressões sobre ele. Primeiro, mostra o que afasta a psicanálise de ser uma ciência, ao mesmo tempo em que a aproxima. Qualquer tese tipo a do Popper, que acha que a psicanálise é somente uma metafísica, não resiste ao relato do Freud sobre as mudanças na metapsicologia, sempre causadas pela experiência clínica. Por outro lado, o que fica claro é que essas mudanças não têm como ser verificadas independentemente por uma comunidade que possa rejeitar o paradigma, e dependem da tradição (que na época passava pela pessoa do Freud, que era tipo o "guru" do movimento, decidindo o que valia ou não). Nesse ponto, a situação é bem semelhante à do marxismo (se bem que as teses do marxismo têm a história como seu campo de aplicação, então me parecem mais facilmente universalizáveis que a psicanálise), em que cada nova descoberta causa cisões dentro das igrejinhas que acham que monopolizam a teoria. O que é mais chocan...

Por que Obras Completas 1996-2007?

com a ajuda inestimável da Tatiana Costa , que protegeu de mim durante cinco anos as últimas poesias escritas por mim que eu preservei (destruí todas as outras em 2007, pra não cair em tentação e publicar, porque elas eram muito ruins), estou colocando elas no meu blog. elas estão com a marcação Obras Completas 1996-2007 porque elas são, como eu disse, o que sobrou desse período da minha e scrita. Como vocês devem saber, eu praticamente não escrevo mais poesia (acho melhor me expressar com outras formas literárias ou não, principalmente os meus "ensaios" que todo mundo menos eu acha que são absurdos, do tipo Marxismo e Ocultismo etc), então isso tudo ficou um tipo de marco de um período de produção "literária" da minha vida (e não marca um período pessoal porque, com exceção de uma ou duas poesias, as que eram muito baseadas na minha vida pessoal eram um lixo). Peço pelo amor de Deus que me passem o que ainda tiverem que eu escrevi, que não tiver ...