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Dolor (Theodore Roethke)

Eu conheci a inexorável tristeza dos lápis, Perfeitos nas caixas, dolor de carimbeira e peso de papel, Toda a miséria das pastas de arquivo e goma arábica, Desolação em locais públicos imaculados, Sala de visitas solitária, lavabo, trocador, O pathos inalterável da bacia e do caneco, Ritual de etiquetadora, clipe, vírgula, Duplicação infinita de vidas e objetos. E vi o pó das paredes das instituições, Mais fino que farinha, vivo, mais perigoso que sílica, Filtrado, quase invisível, por longas tardes de tédio, Colando um fino filme nas unhas e sobrancelhas delicadas, Esmaltando o cabelo branco, as usuais faces cinzas duplicadas.

Poda (Depois), de Theodore Roethke

Theodore Roethke (1908-1963) foi um poeta americano, a obra dele geralmente é intimista. Esse poema aqui faz parte da série dos poemas da estufa, autobiográficos, porque ele cresceu na estufa do pai, que era floricultor. Poda (Depois) Esta ânsia, luta, ressurreição de galhos secos, Poda os talos que forçam para pôr os pés no chão, Que santo tanto se esforçou, Se ergueu em tais membros cortados para uma vida nova? Posso ouvir, subterrâneo, este sugar e soluçar, Nas veias, nos ossos, eu o sinto,-- As aguinhas brotando em cima, Os grãos duros finalmente partindo. Quando os brotos nascem, Escorregadios como peixes, Desanimo, inclino-me ao começo, úmido, na bainha.