Dolor (Theodore Roethke)


Eu conheci a inexorável tristeza dos lápis,
Perfeitos nas caixas, dolor de carimbeira e peso de papel,
Toda a miséria das pastas de arquivo e goma arábica,
Desolação em locais públicos imaculados,
Sala de visitas solitária, lavabo, trocador,
O pathos inalterável da bacia e do caneco,
Ritual de etiquetadora, clipe, vírgula,
Duplicação infinita de vidas e objetos.

E vi o pó das paredes das instituições,
Mais fino que farinha, vivo, mais perigoso que sílica,
Filtrado, quase invisível, por longas tardes de tédio,
Colando um fino filme nas unhas e sobrancelhas delicadas,
Esmaltando o cabelo branco, as usuais faces cinzas duplicadas.

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