Briga de Galo Teórica: Alguém por aí nega a decadência da Literatura, das Artes Plásticas e da Música Erudita?


Gente, como todos sabem existe uma longa linhagem de teorias marxistas da decadência do capitalismo. Eu mais ou menos já vi de tudo um pouco nessa história, mas não é sobre isso o que quero falar.

O problema é o seguinte: pode existir muita polêmica sobre se existe e como se manifesta essa decadência. Mas eu não acredito que alguma pessoa que não seja louca tenha como negar que as artes estão em processo acelerado de decadência ou até mesmo de decomposição há várias décadas.

Não me parece que alguém em sã consciência possa dizer que a literatura depois da Segunda Guerra possa se comparar com a da primeira parte do século XX (Joyce, Kafka, Fernando Pessoa, Eliot, Rilke, Pound etc), nem que as artes plásticas depois do período de decomposição (em forma de "análise combinatória" da desconstrução de seus elementos básicos) da década de 1960 possa ter a menor comparação com Picasso, Calder, Kandisnky, Mondriaan etc)  - sendo que, pra mim, o atestado de óbito é o não-objeto da Lygia Clark, em 1968 em pleno Rio de Janeiro, e muito menos falar de algum compositor importante de música erudita depois do Stravinsky, Schoenberg, Berg, Ives etc (na música pelo menos tem grandes inventores como o Messiaen - que cronologicamente tá mais próximo dos primeiros do que do nada que veio depois - e o Stockhausen, mas que não é possível que alguém consiga ouvir como se se tratasse de grandes obras de verdade, e não como boas experiências).

Bom, são essas artes em que eu consigo ver o processo de decadência, mas certamente deve estar espalhado por todas as outras, e por toda a superestrutura (na filosofia, eu concordo 120% com o Lukács em Destruição da Razão).

Bem, primeiro, alguém tem coragem de contestar a existência da decadência, sem recorrer a argumentos relativistas imbecis? Além disso, qual pode ser a explicação para a decadência?

Taí o começo da briga!

Comentários

rodrigodoo disse…
Falei uma parada errada aí em cima: a teoria do não-objeto é dos neoconcretos, mas é do Ferreira Gullar. Eu estava me referindo à fase da Lygia Clark chamada de Nostalgia do Corpo, que ela classificava de "não-arte".
rodrigodoo disse…
Por incrível que pareça, surgiu um comecinho de briga de galo sobre o assunto, no Facebook. Aqui vai o link:

http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/rodrigo.silva.52643821/posts/411703252208600?notif_t=share_comment