Década de Zero

O meu nome é Paulo. Estou falando isso não porque eu exista (eu não existo), mas porque, já que eu sou um personagem, as pessoas cobram esse tipo de coisa.

Todo mundo lê as coisas que podem dar a noção de experiências a que não teriam acesso sem a literatura. Então, o que eu quero fazer aqui é falar um pouco das minhas experiências (minhas, no caso as do autor), porque todo mundo pode dar pitaco.

Claro que as experiências políticas de uma geração que cresceu em pleno congelamento de qualquer alternativa política real não são considerados dignos de se transformarem em literatura por todos os críticos e acadêmicos benpensantes. Foda-se, escrever sobre os problemas metafísicos das dondocas de todas as classes, como a Clarice Lispector faz, também não tem muita relevância em si, e muita gente considera o suprassumo. Então eu escrevo o que quiser, e se for bom o texto se sustenta sozinho.

Voltando ao assunto, o que eu queria era mostrar o emparedamento de uma época. A nossa geração teve pouco tempo. Começou pelo fim, mas foi bela a nossa procura, mesmo com tanta ilusão perdida.

O que é interessante é que, na década de 1970, os punks diziam: No future. Bem, o futuro estava uns vinte ou trinta anos na frente deles - hoje. Esse é o No future. Década de zero.

Primeiro eu vou falar de uma cidade feia no subúrbio onde começa a história, pra não desperdiçar o rascunho que ele fez (o autor). Mas é o seguinte, vamos falar de um cara que vivia num mundo de 510 milhões de km2 mas que, depois de sucessivas derrotas imaginárias, não sai mais do seu quarto, até o momento em que começa a nossa ação.

Vamos lá.

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